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Saúde

Entre 1990 (ano de referência definido no quadro dos Objectivos do Milénio) e 2006, a mortalidade infantil baixou de 60%, passando para menos de 10 milhões de mortes por ano. As mortes provocadas por sarampo passaram de 750 milhões em 2000 para menos de 200 milhões em 2006 e cerca de 80% das crianças dos países em desenvolvimento estão actualmente vacinadas. O número de casos e mortes provocados por paludismo baixou mais de 70% entre 2000 e 2006. A esperança de vida contínua a aumentar, mas a SIDA, a malária (300 a 500 milhões de pessoas infectadas) e a tuberculose são ainda responsáveis por milhões de mortes – cerca de 2 milhões por tuberculose, que continua a propagar-se, como a SIDA. Pobreza, conflitos, catástrofes naturais e o aumento do número de refugiados são as maiores causas, assim como a falta de infra-estruturas sociais e governamentais que impedem, mesmo quando existem medicamentos distribuídos pelas organizações internacionais, a sua utilização eficaz. Sem falar da falta de investimento nos cuidados primários, na prevenção, que segundo o Relatório sobre a Saúde no Mundo da Organização Mundial da Saúde (2008), podiam permitir reduzir para 70% a morbilidade no mundo. A OMS denuncia igualmente os programas determinados pelas entidades doadoras que se concentram apenas numa doença dos países pobres, construindo um mosaico de acções desgarradas.

Nos países industrializados, os sistemas de saúde enfrentem graves desafios: envelhecimento da população – em 2050, o número de pessoas com mais de 65 anos terá aumentado para 70%. Para assegurar um envelhecimento em boas condições de saúde, a prevenção é decisiva. Ela é também essencial numa óptica de gestão pública: mal gerido, o envelhecimento poderá aumentar em 25% o peso da saúde no PIB da maioria dos países membros. Segundo a OMS, o reforço da prevenção terá como efeito uma maior participação do cidadão na gestão da sua própria saúde. Neste aspecto, a organização da Nações Unidas, está em sintonia com o meio empresarial representado pelo WBCSD que, na publicação “Sistemas de Saúde - Factos e Tendências” afirma “quase todas as pessoas concordam que os sistemas de saúde estão a falhar: têm falta de recursos financeiros, não fornecem a qualidade do serviço que as pessoas exigem e têm acesso limitado. Existe grande ênfase no controle de custos (apenas com sucesso modesto), mas pouca contabilização dos benefícios para a saúde. Existe pouca consciência da responsabilidade partilhada entre os doentes e os sistemas de saúde. No Reino Unido, a obesidade cresceu cerca de 400% nos últimos 25 anos. Quase não são disponibilizadas verbas para a prevenção de doenças, apesar dos seus impactes positivos na vitalidade pessoal e na totalidade da economia da saúde”.

Doenças cardiovasculares e cancro são actualmente a maior causa de morte nos países desenvolvidos. Alimentação, sedentarismo, tabaco... os estilos de vida são actualmente, nestes países e cada vez mais no resto do mundo, os maiores factores de risco: nas três últimas décadas o aumento de peso das crianças na União Europeia não parou de aumentar - hoje a prevalência do excesso de peso é estimada em 30%. Há tantas pessoas obesas a nível mundial que a OMS considerou esta doença como a epidemia global do século XXI. Anualmente cerca de 4,9 milhões de pessoas morrem, em todo o mundo, em resultado do tabagismo. Se a epidemia não for travada, a mesma organização estima que, em 2020/30, esse número chegará aos 10 milhões de pessoas por ano.

Outro desafio, partilhado globalmente: o acesso aos cuidados de saúde. Mais de 45 milhões de residentes dos EUA não têm seguros médicos e geralmente recebem cuidados apenas em situações de urgência. Segundo a OMS, todos os anos, 100 milhões de pessoas passam para uma situação de pobreza devido às suas despesas com a saúde; milhões de outros não têm acesso a nenhum serviço de saúde.

Em conclusão, quer a OMS, quer o WBCSD assumem que os sistemas actuais não são sustentáveis. As empresas podem (e já o fazem) participar activamente nas iniciativas internacionais nos países em desenvolvimento, podem trazer as suas competências de gestão, a sua experiencia em relação à qualidade, as suas capacidades de inovação. Têm capacidade de influenciar as políticas públicas no sentido de pedir maior transparência a nível da gestão dos custos e apresentação de resultados etc. mas não podem nem estabelecer as regras de acessibilidade, nem substituir-se aos governos.


                                                                                                               
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