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Em entrevista à SDC, a arquitecta Maria Isabel Seabra do Gabinete de Planeamento, Inovação e Avaliação do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) apresenta o desafio da mobilidade para as empresas

Que enquadramento se configura quando se alia a mobilidade ao mercado de trabalho?
Em vários países existe um enquadramento institucional que favorece a concretização de medidas para uma mobilidade sustentável. Nalguns casos há já legislação específica (Itália, Bélgica, Holanda).
No caso da legislação inglesa, estes planos devem ser elaborados na fase anterior à instalação das empresas/instituições, agindo-se por antecipação e prevenindo problemas. No caso da Bélgica, a lei obriga a que as empresas com mais de 100 empregados elaborem planos cada três anos, com benefícios fiscais para empregados e empregadores que utilizem modos de transporte com reduzidos impactes ambientais.
Em Portugal, não existe ainda qualquer tipo de legislação, contudo o Plano Nacional para a Eficiência Energética (PNAEE) estabelece como meta até 2015 que todas as empresas com mais de 500 trabalhadores elaborem Planos de Mobilidade próprios.
Consciente da necessidade de enquadrar estas metas e num quadro mais geral de estabelecimento de directrizes nacionais sobre mobilidade, o Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT) considerou fundamental criar orientações específicas neste domínio, no âmbito das quais se enquadra a publicação prevista do Guia para a Elaboração de Planos de Mobilidade de Grandes e Médios Pólos Geradores de deslocações.


De que forma podem os padrões de mobilidade ter impacto na cadeia e quadro de valor das empresas?
Os padrões de mobilidade condicionam de um modo significativo a sustentabilidade da actividade das empresas do ponto de vista económico, social e ambiental. As intervenções ao nível da mobilidade poderão dirigir-se não só aos trabalhadores, mas também a fornecedores, visitantes e a deslocações dos próprios trabalhadores em serviço.
Em termos económicos, muitas das medidas permitem uma melhoria da produtividade da própria empresa, contribuindo, nomeadamente para a redução dos custos com o estacionamento e para a melhoraria da pontualidade e dos níveis de rendimento dos funcionários. A introdução de medidas que contribuam para a utilização de modos de transporte ambientalmente sustentáveis e/ou contribuam para a redução do número diário de viagens (tele-trabalho, vídeo conferência) constitui um contributo importante para a sustentabilidade da actividade das empresas e imagem de responsabilidade ambiental.
Em termos sociais têm igualmente repercussões ao nível da promoção da qualidade de vida dos próprios trabalhadores (redução acidentes, promoção da saúde através do incentivo ao modo pedonal, redução dos níveis de stress associados ao tempo despendido nas viagens, entre outras).
Por último a responsabilidade ambiental, um tema sensível na sociedade actual e para o qual as empresas e trabalhadores estão cada vez mais atentos, pode constituir um valor diferenciador e de promoção da própria empresa.

Quais são as ferramentas de que se podem servir as empresas e que contributo podem estas ter no território onde desempenham as suas actividades?
Os Planos de Mobilidade constituem por si um importante instrumento para a definição de uma política de transporte das empresas e de objectivos a atingir em termos de mobilidade sustentável.
Constituem exemplos de ferramentas utilizáveis: a flexibilidade de horários, o incentivo à partilha de viatura, a gestão da oferta de estacionamento, a redução das necessidades de deslocações profissionais ou a promoção das deslocações em transporte público. Relativamente aos impactes da sua implementação, contribuem para a melhoria da qualidade dos territórios em que se inserem, ao nível da qualidade ambiental (emissões, ruído) e do espaço público.



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