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 Relatórios de Responsabilidade Social

A História: quando surgiu?
As Funções: para que serve?
Os beneficiários: a quem se destina?
Princípios: Quais são as características fundamentais?
Os Modelos: como devem ser construídos?

O Relatório de Responsabilidade Social das Empresas

Muitas empresas têm vindo a concluir que os relatórios financeiros já não são suficientes para satisfazerem as necessidades de informação de todas as partes interessadas.
Accionistas, investidores, consumidores, funcionários e comunidade em geral exigem agora saber mais, procurando informações que lhes permitam ter uma visão global do comportamento da empresa, não só a nível financeiro mas também dos seus impactos e preocupações nas áreas ambiental e social.

Os Relatórios de Responsabilidade Social (RRS) surgiram para responder a esta necessidade, divulgando e tornando público a performance de uma empresa a nível financeiro, ambiental e social.

A História: quando surgiu?

Os primeiros esboços de RRS surgiram nos anos sessenta, nos EUA e na Europa, quando os consumidores iniciaram o boicote aos produtos e serviços de empresas ligadas à guerra do Vietname. Foi essa a primeira vez que a sociedade exigiu uma nova postura ética por parte das empresas, que passaram a divulgar anualmente relatórios com informações de carácter social.
Hoje em dia, para além desta função de comunicação externa, os RRS são documentos mais complexos que respondem a uma série de outras funções.

As Funções: para que serve?

Gerir
O RRS contém sempre a estratégia da empresa em termos de desenvolvimento sustentável, permitindo fazer um retrato minucioso dos seus pontos fracos e fortes.
A longo prazo permite definir objectivos, aproveitar oportunidades e prevenir riscos financeiros e mediáticos.

Comunicar
O RRS é um meio de comunicação externa da maior importância: ao identificar as necessidades de informação dos vários públicos, dando-lhes as repostas pretendidas, o RRS é uma ferramenta poderosa de diálogo, transparência e compromisso.
Em simultâneo funciona também como instrumento de comunicação interna, porque transmite aos colaboradores os valores mais importantes da empresa, sensibilizando-os para as suas causas e responsabilidades individuais.

Comparar
Ao recorrer a parâmetros externos normalizados, os dados apresentados sobre a empresa podem mais facilmente ser comparados. Esta comparação pode ser feita entre empresas; ou dentro da mesma empresa, permitindo comparar, por exemplo, diferentes anos de actividade.

Os beneficiários: a quem se destina?




O RRS não se destina apenas aos accionistas (os chamados stockholders ou shareholders), mas a todos os públicos que tenham interesse na empresa (os stakeholders): clientes, funcionários, fornecedores, sociedade civil, jornalistas, associações de defesa do consumidor, de protecção do ambiente e outras.

Princípios: Quais são as características fundamentais?

Para conseguir cumprir todas as suas funções, é fundamental que o RRS seja credível aos olhos de todos. Mas como conseguir essa credibilidade?
Reunindo uma série de aspectos que constituem os princípios fundamentais do RRS:

Transparência
A transparência exigida a um RRS tem por base uma das suas ideias fundadoras: a de que ninguém espera que uma empresa seja perfeita; o que se pretende é que seja honesta e que não procure esconder determinados aspectos problemáticos resultantes da sua actividade.

Independência
De forma a ser o mais rigoroso possível, sobretudo no que diz respeito à hierarquização dos problemas, é aconselhável que o RRS seja redigido com o apoio de um organismo independente especializado e, eventualmente, avaliado por auditores em certas áreas.

Objectividade
O RRS deve ser construído segundo um modelo único, simples e objectivo, que utilize parâmetros iguais e permita comparações por parte dos investidores, consumidores e sociedade em geral, de ano para ano e também entre várias empresas.

Clareza
Por se destinar a ser analisado por públicos tão diferentes, o RRS deve responder às diferentes necessidades de informação e ser suficientemente claro para ser compreendido por todos.

Os Modelos: como devem ser construídos?


Siemens




Intel



Danone



Carrefour

Numa primeira fase, quando as empresas começam a publicar os seus RRS, existiu uma certa flexibilidade na apresentação dos relatórios.
No entanto, para comparar e comunicar com maior eficácia, o ideal será alcançar-se a um consenso no formato e nos indicadores utilizados.
As orientações desenvolvidas pela Global Reporting Initiative (GRI) são um bom exemplo, que poderá servir de base à construção de um consenso nesta área.

O modelo GRI
A GRI é uma instituição independente criada em 1997, numa iniciativa conjunta da CERES - Coalition for Environmentally Responsible Economies e do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. A sua missão é desenvolver e divulgar linhas orientadoras (os chamados guidelines) destinadas a serem utilizadas pelas empresas nos seus RRS.

Características
Os guidelines GRI:
  Procuram fazer um retrato fiável das performances financeiras, sociais e ambientais da empresa;
  Promovem a comparabilidade entre relatórios, recorrendo a parâmetros, normas e códigos standard;
  Têm uma estrutura flexível e podem ser usadas por todas as empresas, quaisquer que sejam as suas dimensões, actividades e experiência em fazer relatórios.

Os onze princípios GRI
Transparência, Abertura, Facilidade de auditoria, Exaustividade, Relevância, Contexto de Sustentabilidade, Exactidão, Neutralidade, Comparabilidade, Clareza, Regularidade.

Estrutura e Conteúdos GRI
As empresas são incentivadas a seguir a seguinte estrutura na construção do seu relatório:
  Visão e Estratégia - Descrição da estratégia da empresa na perspectiva do Desenvolvimento Sustentável, incluindo um depoimento da direcção.
  Perfil - Retrato geral da estrutura e das operações que compõem a empresa.
  Estrutura administrativa e Sistemas de gestão - Descrição da estrutura da empresa, políticas e sistemas de gestão, incluindo os esforços de compromisso com todas as partes interessadas.
  Índice de conteúdos GRI - Tabela identificando a localização de cada elemento do relatório GRI.
  Indicadores de performance - Medição dos impactos da empresa, dividida em indicadores de performance integrada, económica, ambiental e social.



Indicadores do GRI


ver mais

«A função principal de uma empresa consiste em criar valor através da produção de bens e serviços que a sociedade exige, gerando assim lucros para os seus proprietários e accionistas e bem-estar para a sociedade, em especial através de um processo contínuo de criação de emprego.
Contudo, a emergência de novas pressões sociais e de mercado estão a conduzir progressivamente para alterações dos valores e dos horizontes da actividade empresarial.

Existe hoje na esfera empresarial a percepção de que o sucesso das empresas e os benefícios duradouros para os seus agentes associados não se obtêm através de uma tónica na maximização de lucros a curto prazo, mas antes no de um comportamento orientado pelo mercado, porém coerente e responsável.
As empresas estão conscientes de que podem contribuir para o desenvolvimento sustentável, gerindo as suas operações de modo a consolidar o crescimento económico e aumentar a competitividade, ao mesmo tempo que asseguram a defesa do ambiente e promovem a responsabilidade social, incluindo os interesses dos consumidores.»

Comunicação relativa à Responsabilidade Social das Empresas: Um contributo das empresas para o Desenvolvimento Sustentável; Comissão das Comunidades Europeias; Bruxelas, Julho de 2002.




Mais informações visite a Global Reporting Initiative


globalreporting.org