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Comunicação Interna e Formação

Construir uma relação com os colaboradores
Ouvir, informar, apoiar, envolver. São estas as ideias-chave da nova comunicação interna.
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Sendo o diálogo e transparência os valores fundamentais da Responsabilidade Social, a sua aplicação deve
começar no relacionamento e na comunicação com os colaboradores da empresa, ou seja, na gestão dos recursos
humanos e na comunicação interna.
Segundo o Livro Verde da Comissão Europeia: «entre as medidas pertinentes poder-se-ão incluir a aprendizagem
ao longo da vida, a responsabilização dos colaboradores, uma melhor informação dentro da empresa...»
ou seja, uma melhor comunicação.
Este conceito é também fundamental para o GRI (Global Reporting Initiative), que apresenta como indicadores
da Responsabilidade Social da empresa, na parte social, aspectos que têm a ver com os seguintes pressupostos:
definir uma política de procedimentos que envolve informação, consulta e negociação com os colaboradores e
sua participação nas tomadas de decisão e gestão da empresa, incluindo a gestão corporativa. Um exemplo desta
postura é a cadeia espanhola de hipermercados Eroski onde 50% do Conselho de Administração é constituído por
consumidores e colaboradores.
Outro aspecto relevante, destacado nos indicadores do GRI, é a classificação da empresa, como entidade
empregadora, nos inquéritos internos de satisfação feitos aos colaboradores. Segundo a organização
Great Place to Work, se a classificação for favorável isso significa o seguinte: que a relação entre os
colaboradores e a direcção é boa, que a relação entre os colaboradores e o seu trabalho é boa; e que a relação
entre os colaboradores também os satisfaz.
Todas estas relações têm de ser construídas.
Ouvir os colaboradores
Uma relação boa é uma relação de confiança. Para a estabelecer, o primeiro passo é ouvir os colaboradores.
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Na Continental Airlines, o director-geral visita todos os meses uma das cidades onde a companhia está
implantada. Conversa com os colaboradores sobre a empresa e responde a todas as questões apresentadas.
Disponibilizou, de igual modo, um número de telefone, para que qualquer colaborador lhe possa deixar uma
mensagem, que é sempre respondida.
Outro exemplo de abertura a ouvir os colaboradores é o da Philip Morris/Tabaqueira, em Portugal. Antes de
ser iniciado um programa sobre segurança todos os colaboradores foram ouvidos.
Foi-lhes perguntada a sua opinião não só sobre os aspectos técnicos dos equipamentos de segurança existentes,
mas também sobre os procedimentos, comportamentos e até sobre a forma como percepcionavam o desempenho da direcção nessa
matéria. Todos os resultados foram divulgados. Houve até o cuidado de destacar as incongruências principais
e os pontos a melhorar, de modo a proporcionar uma discussão conjunta.
A acção de comunicação e formação sobre segurança, que se seguiu a este inquérito, foi discutida e
validada por um grupo de trabalho constituído por um colaborador de cada sector da empresa. Este grupo
teve assim a oportunidade de fazer os seus comentários e aprovar a acção desde a estratégia até aos
suportes finais.
Este é o exemplo de uma situação onde foram aplicados alguns dos meios fundamentais de promoção do
diálogo numa empresa. Esses meios são os seguintes: inquéritos regulares aos colaboradores, reuniões
para discutir temas fundamentais para a empresa, a intranet, onde podem ser criados (à semelhança do que
algumas empresas fazem com o grande público) foruns e espaços onde cada colaborador possa comentar uma
decisão da empresa ou deixar a sua opinião.
Esta abertura para ouvir os colaboradores, esta comunicação transparente e acessível é também, segundo
a Great Place to Work, um aspecto que caracteriza uma empresa considerada por quem lá trabalha um bom
lugar para trabalhar.
Informar os colaboradores
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É importante que os colaboradores conheçam as linhas directoras da empresa, os objectivos, a missão,
a visão e que, para além disso, sintam que são ouvidos nas questões importantes.
Quando a empresa inicia um projecto de Responsabilidade Social isso vai naturalmente implicar mudanças
(mudanças a nível dos procedimentos, da gestão das pessoas, da comunicação da empresa, das acções em que
se envolve...). Para que esse projecto seja sentido como pertencente a todos, é fundamental que seja
construído por todos, ou seja, que a ideia seja apresentada aos colaboradores, que a sua opinião seja ouvida
e que haja espaço e abertura para sugestões.
É tudo isto que vai contribuir para que um colaborador, nos seus contactos diários e pessoais e quando fala
do projecto da empresa, possa dizer: «o nosso projecto».
Na Continental Airlines, de que já falámos anteriormente, todas as semanas cada colaborador recebe uma
mensagem por parte do director-geral no seu voice mail, informando sobre os assuntos mais relevantes que se
estão a passar na companhia.
Este aspecto tão fundamental é por vezes esquecido e as decisões ou as mudanças de postura por partes das
empresas ficam-se ao nível das administrações. Em muitas empresas, toda a decisão para dar início a um novo
projecto de Responsabilidade Social recai sobre a administração. Normalmente, é criado um grupo de trabalho,
composto por chefias, para levar a cabo essa missão, são desenvolvidas acções e, a maioria das vezes, é
elaborado um relatório de Responsabilidade Social num processo que passa totalmente à margem da generalidade
dos colaboradores.
Para que situações como esta não continuem a ocorrer nas empresas, é preciso criar metodologias que permitam
a circulação sistemática da informação e a garantia de que todos tiveram acesso a essa informação.
Danone Way é um projecto criado pela Danone, no âmbito do qual foram definidas cerca de trinta práticas
relacionadas com os recursos humanos. Para cada uma foram definidas metas, objectivos, meios e indicadores
que permitem no fim fazer uma avaliação. No caso concreto da comunicação interna, a Danone definiu um modelo
de diálogo que tem como características: uma hierarquia próxima, uma informação pertinente sobre a estratégia
do grupo, difundida a todos, e a liberdade de cada um colocar questões e exprimir as suas ideias.
A Danone avalia também as condições dadas aos representantes dos colaboradores para exercerem as suas funções
e os meios do diálogo com os sindicatos.
Tal como tem vindo a suceder nos últimos anos, este modelo foi avaliado no relatório anual do grupo de 2002
e a sua avaliação foi transmitida aos colaboradores: a liberdade de expressão, o diálogo e o acesso à
informação foram considerados dados adquiridos. O diálogo com os representantes dos colaboradores, segundo
as conclusões, poderia ter corrido melhor, apontando para o compromisso de maior número de acordos.
Danone Way (extracto do relatório anual 2002)
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Meta |
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Objectivo |
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Meios |
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Indicadores |
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Criar condições de diálogo com os colabora-dores e seus representantes
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Favorecer a informação e a expressão dos colaboradores
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Reuniões, intranet, jornais internos
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Inquéritos de satisfação; barómetros dos managers
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Permitir aos representantes dos colaborado-res o exercício das suas responsabi-lidades
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Conceder condições para o exercício do mandato dos representantes e da negociação
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Avaliação feita pela Danone Way: Trabalho efectivo dos representantes dos colabora-dores
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Promover o diálogo à escala do Grupo
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Dialogar com a UITA (federação internacional de sindicatos, do sector agro alimentar, que abrange 120 países)
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Número de pareceres assinados e qualidade da sua aplicação
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Investir nos homens, nas organizações e favorecer a sua evolução
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Permitir aos colaboradores desenvolverem-se profissional e pessoalmente
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Planos de formação individuais, entrevistas anuais, desen-volvimento de competências a todos os níveis
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Indicadores de formação
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Dar competências para o futuro/ potenciar o crescimento
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Hoje em dia, as empresas já não podem garantir aos seus colaboradores a continuidade do desempenho das
suas funções, nem tão pouco garantir um emprego vitalício, como acontecia há alguns anos atrás. Neste
contexto, e numa perspectiva de Responsabilidade Social, as empresas devem proporcionar aos seus
colaboradores contrapartidas que lhes permitam desenvolver as suas aptidões, de uma forma harmoniosa,
noutro posto de trabalho. Ou seja, quando se fala em formação, num contexto de Responsabilidade Social,
é preciso ir para além da formação técnica, inerente às tarefas desempenhadas por cada colaborador.
É importante que a empresa desenvolva um plano de formação que contemple o desenvolvimento das competências
pessoais, válidas em qualquer contexto, e o enriquecimento do colaborador, que possa representar uma
mais-valia em outro contexto de trabalho com que se venha a confrontar.
Para o GRI os indicadores fundamentais nesta área são:
As horas de formação ministradas
pela empresa aos colaboradores;
Os programas desenvolvidos para encorajar
os colaboradores na tomada de decisão;
A evolução dos anos de escolaridade dos
colaboradores.
Este último aspecto é especialmente relevante num país como Portugal, onde 80% da população tem como
habilitações máximas o nível do Ensino Básico, 10% da população tem diploma do secundário (41% na média
da EU) e a taxa de analfabetismo é elevada (+ de 10% no País e 20% no Alentejo). Ou seja, muitas das empresas
portuguesas evidenciam grande disparidade nos níveis de ensino dos seus colaboradores, uma grande
heterogeneidade, que em nada contribui para a sua auto-estima e satisfação, para o desenvolvimento de um
sentido de equipa, logo, para aumentar a eficácia e competitividade da empresa.
A perspectiva da formação, num contexto da Responsabilidade Social, deixa de incidir apenas no grupo para
passar a dar cada vez mais importância ao indivíduo: quais são as necessidades desta pessoa?; quais são as
suas carências em termos de formação?; quais as suas expectativas?; qual é a sua perspectiva de crescimento?;
como é que a empresa a pode ajudar?.
Pode dizer-se que se trata de uma perspectiva de formação mais generosa por parte da empresa, mas como é
evidente, a própria empresa vai colher os frutos desta sua posição, em empenhamento, envolvimento e dedicação.
O benefícios da comunicação socialmente responsável
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São vários os benefícios e não são fruto naturalmente apenas da comunicação mas de toda uma gestão dos
recursos humanos na perspectiva da Responsabilidade Social.
Em primeiro lugar e de um ponto de vista de recrutamento, uma empresa com uma boa imagem interna e externa
e uma reputação no que toca à forma como trata os seus colaboradores terá necessariamente mais facilidade
em recrutar pessoas bem qualificadas para os lugares que tenha disponíveis. A rotatividade dos colaboradores
será também menor, ou seja, a empresa terá menos custos de formação.
Outro aspecto de que este posicionamento leva a uma redução de custos é a saúde. Colaboradores «felizes»
e motivados no seu posto de trabalho ficam, segundo a Great Place to Work, menos vezes doentes.
A empresa ganha, ainda, a satisfação dos seus clientes, porque a imagem transmitida pelos colaboradores
é mais positiva, a sua produtividade é maior e o que produzem tem uma qualidade superior.
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