A gestão equitativa da água a nível global é um desafio chave do desenvolvimento sustentável. 12% da população mundial utiliza 85% dos recursos em água e vive em países industrializados. Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a água potável e 2,8 bilhões não têm, sequer, acesso a condições de saneamento básico. Em vinte anos, com o aumento contínuo da população humana, o desenvolvimento industrial e o recurso crescente à rega, a necessidade de água vai chegar a um nível difícil de sustentar, “com uma perspectiva mais acentuada de situações de falta e escassez de água e de pressão sobre os recursos hídricos” (In "As Empresas no Mundo da Água - Cenários para 2025", WBCSD).
A escassez de água potável e a insuficiência de saneamento básico travam, substancialmente, o desenvolvimento e o crescimento económico de numerosas zonas do mundo, além de acarretarem consequências trágicas para a mortalidade infantil e saúde pública. Segundo o relatório Mundial sobre o Desenvolvimento Humano, “a crise da água tem a sua origem na pobreza, nas desigualdades, assim como nas políticas de gestão inadaptadas”. Os impactes do crescimento demográfico e da urbanização são ainda agravados pelas catástrofes naturais, alterações climáticas, guerras... e a própria falta de água pode originar conflitos entre as populações.
Os Objectivos do Milénio, formulados pelas Nações Unidas, visam reduzir para metade, até 2015, a proporção de pessoas sem acesso a água potável e saneamento básico.
É uma responsabilidade partilhada entre as instituições internacionais, os governantes e o sector económico.
Na publicação do BCSD Portugal "As Empresas no Mundo da Água - Cenários para 2025" (tradução de uma brochura do WBCSD), sob a premissa - “A água deveria ser um tema prioritário na agenda das empresas” - é apresentado o quadro de actuação: “as empresas não podem ignorar esta tendência (o stress hídrico) até porque, para algumas, ela corresponde a novas oportunidades económicas de adequar a disponibilidade de água à sua procura ou de melhorar a qualidade ou a eficiência da sua utilização. Para outras empresas, esta tendência reflecte-se num controlo mais apertado do modo como estas, as suas cadeias de abastecimento e os seus mercados acedem e utilizam a água, bem como na emergência de novos riscos num quadro da concorrência com outros utilizadores. De uma forma ou de outra, é tempo das empresas, independentemente do sector onde operam ou da sua dimensão, integrarem a água no seu pensamento estratégico.”
A questão da água não pode ser abordada numa única perspectiva... é necessário confrontar as políticas energéticas, hídricas e aquelas relacionadas com a segurança alimentar (o acesso à alimentação) com os contextos económicos, políticos e sociais.
A maior problemática é a da interdependência de vários sistemas complexos, que representam uma multiplicidade de interesses. O desafio para as empresas será, como alerta o WBCSD, definir “o seu papel na governance da água, ou seja, como podem integrar este dinâmico, indefinido e imprevisível conjunto de sistemas.”